terça-feira, 22 de maio de 2012

Sobre homens feitos de ferro e de flor



“Mas existe nesta terra
muito homem de valor
que é bravo sem matar gente
mas não teme o matador
que gosta de sua gente
e que luta a seu favor
como Edinaldo Filgueira*
feito de ferro e flor”


Serra do Mel é uma pequena cidade no interior do Rio Grande do Norte, uma terra onde muitas leis apenas estão nos livros e papeis, e que a realidade não é crível.
Fruto de um projeto de reforma agrária, a cidade foi planejada com 23 agrovilas, projeto baseado nos moshav israelenses. Cada agrovila possui um nome de um estado brasileiro, e o centro administrativo está nas vilas de Brasília e do Rio Grande do Norte, hoje conurbadas.
Uma cidade em que a democracia é apenas uma ilusão. Uma cidade em que a única torre de telefonia é desligada a mando dos poderosos conforme o seu interesse. Uma cidade em que seus habitantes não escolhem democraticamente os seus governantes. Uma cidade em que o coronelismo se espelha no número de eleitores, dois mil votantes a mais que habitantes, com ônibus transportando desconhecidos dos locais. Uma cidade em que é proibido andar de capacetes em motocicletas, em face ao crime organizado e constante ameaça de pistoleiros.
Edinaldo Filgueira era um dos colonos de Serra do Mel, e sua batalha era contra a opressão e o sistema coronelista local. Foi o fundador e editor do primeiro jornal da cidade, também foi o homem que levou o acesso a internet para Serra do Mel, tanto o provedor de acesso, quanto a lan house da pequena cidade.
Com muito suor conseguiu se formar em administração de empresas, viajando 60km todas as noites após um dia de trabalho. Mas Edinaldo era incansável, era o organizador independente que tocava grupos de teatros, concursos de canções, mostras folclóricas de boi de reis.
Ednaldo, antes de tudo, acreditava na informação como forma de libertação da humanidade. Acreditava que o conhecimento e a comunicação livres eram as armas para destruir os grilhões. Edinaldo era blogueiro, e foi assassinado ao questionar a população através de uma enquete em seu blogue sobre a educação pública de Serra do Mel. Ameaçado, retirou a enquete do ar – mas a sua vida já estava encomendada a um grupo de pistoleiros, já perseguidos pela polícia na operação “matadores de aluguel”. Sua vida foi ceifada em frente de seu pequeno comércio, um dia após colocar na web a enquete, sem direito à defesa, de maneira covarde. A loja de Edinaldo ficava a apenas 50m da delegacia de polícia, mas nada foi feito em sua defesa.
Edinaldo foi morto quando concluía a edição 51 de seu jornal. Resgatamos o material inconcluso, escrevemos alguma homenagem, e entregamos ao povo de Serra do Mel.Esta edição do jornal pode ser lida aqui. Edinaldo conseguiu que a edição 51 do Jornal o Serrano fosse distribuída, mas Edinaldo nunca poderá ser substituído.
Que Edinaldo nunca seja esquecido, calado, que a sua voz sempre ecoe. Faltam palavras para este que escreve sobre a tristeza amarga de ver uma pessoa simples, humilde, lutadora, ser morta. Mas não faltará trabalho, nem vontade de lutar por justiça. O prefeito de Serra do Mel é indiciado como autor intelectual do crime, e entre os matadores presos, três são parentes do prefeito. Somos frágeis, somos humanos, mas somos muitos. Os poderosos não poderão dar conta de todos.
*Poema escrito por Ferreira Gullar para homenagear o líder camponês Gregório Bezerra, lido durante a entrega dos jornais em Serra do Mel como parte das homenagens a Edinaldo Filgueira. (17/12/2011)

Edinaldo Filgueira: Sobre tubarões e sobre homens



Originalmente publicado no Diário de Natal, no dia 27/12/2011

Entrevista >> Lázaro Amaro – Advogado
“Caso despertou meu repúdio”
Tiago Aguiar // Especial para o Diário de Natal
Qual a sua atuação no caso Edinaldo Filgueira?
O caso Edinaldo Filgueira, além de ter-me chocado, por sua hediondez, despertou meu repudio, em decorrência de sua motivação política. Coordeno uma equipe de advogados, todos dispostos e comprometidos em atuar na condição de assistentes do Ministério Público, pela garantia de justiça no caso Edinaldo Filgueira, mas, também, para que a sociedade e o estado, a par de punirem os criminosos, possam desmantelar essa verdadeira rede criminosa, restituindo a segurança e a liberdade do povo da Serra do Mel.
Qual a relação pessoal entre os presos e acusados?
Os réus Rafânio Azevedo, Ranielly Azevedo e Daniel Azevedo são irmãos entre si e primos do Prefeito Bibiano Azevedo, enquanto a ré Cícera Soares viveu maritalmente com um irmão daqueles primeiros, até pouco tempo atrás, tendo permanecido com os vínculos familiares, políticos, negociais e delituosos. Há muitas evidências de que o grupo mantinha cumplicidade e co-autoriana pratica de vários crimes.
Quais as razões que levaram à prisão do prefeito de Serra do Mel?
Chamado para prestar declarações pelo Dr. Odilon Teodósio, delegado que presidiu o inquérito e o indiciou, a defesa do prefeito, surpreendentemente, ajuizou um Habeas Corpus ao Juízo de Primeira Instancia em Mossoró, de maneira que não deve ter sido surpreendido com a ordem de prisão. No momento da prisão, o prefeito Bibiano encontrava-se na sede do município de Serra do Mel.
Quem é o autor intelectual do crime, o que o motivou e quais são as provas colhidas que apontam o mandante do crime?
O momento processual não permite a exploração publica desses pontos, salvo o de que as provas demonstram que a motivação para o crime foi essencialmente política, no sentido de que a atividade jornalística de Edinaldo, somada a sua postura critica e sua militância partidária, representava uma ameaça aos projetos políticos do prefeito Bibiano, especialmente por desnudar, no “Blog” e no Jornal “O Serrano”, as irregularidades e falhas da administração do Município de Serra do Mel, embora sempre com direito de resposta.
Você tem conhecimento sobre eventuais perseguições sofridas por Edinaldo pelo prefeito, em outros momentos?
Alguns depoimentos de testemunhas deram conta de que Edinaldo vinha sofrendo ameaças, e o depoimento da ré Cícera, já em Juízo, corroborou essa afirmação quando disse, alegando um suposto insulto de Edinaldo contra a filha do Prefeito Bibiano, que o réu Rafânio Azevedo lhe havia pedido para conseguir o numero do telefone da vitima, para que pudesse ligar diretamente para ele.
Por que existem dois processos para um mesmo caso?
Infelizmente, nossa legislação, talvez pelos vínculos históricos entre muitos legisladores e os delinquentes ocupantes do Poder, estabelece foros de privilégios para muitas autoridades publicas, de modo que o prefeito Josivan Bibiano de Azevedo, indiciado como mandante do crime contra Edinaldo, livra-se do Tribunal do Júri para ser julgado pelo Tribunal de Justiça do Estado.

Rio Pequeno do Norte: O estado da ilusão democrática



Quando os navegadores portugueses encontraram o estuário do rio Potenji, acabaram por batizar a capitania hereditária com o nome de Rio Grande do Norte. É um fato curioso e irônico, tendo em vista que em quase toda sua extensão o rio é tímido e acanhado, pouco caudaloso e até mesmo temporário, tendo real vigor somente no encontro com as águas do mar que invadem o continente.
Tal e qual os navegantes foram iludidos pela miragem de um grande rio que em real e concreto é apenas um riacho, as instituições republicanas dão hoje em dia a impressão que vive-se em um estado democrático de direito. Mas a nossa justiça apenas funciona para ladrões de galinha e pretos, pobres, traficantes pés de chinelo. Tendo dinheiro, estando no poder, se inocenta ou se prescreve – é a ilusão democrática.
Na Capitania do Rio Pequeno do Norte a liberdade de comunicação acaba nas armas em mãos de homens ferozes, quadrilhas de pistoleiros que refletem um moderno cangaço de aluguel. Nas últimas estações dois jornalistas foram assassinados nestas paragens, lembra a ANJ, enquanto em todo o Brasil este número foi de cinco. Talvez o órgão patronal não tenha dado conta que os jornalistas mortos no Rio Pequeno do Norte não serviam às empresas corporativas, eram independentes.
Foram eles F. Gomes e Edinaldo Filgueira, além de jornalistas, blogueiros, que desafiavam o sistema coronelista, que denunciavam a macro estrutura criminosa e que em idêntica condição foram assassinados por um grupo de pistoleiros vindos em motos, e a bala, na frente do local de trabalho, encomenda cumprida.
Destarte, as empresas corporativas em suas negociações trabalhistas com o sindicato dos jornalistas humilham a classe,sendo o Rio Pequeno do Norte o estado em que o menor piso salarial é pago aos trabalhadores da comunicação. Trabalhadores estes que em seu ofício recebem ameaças da própria polícia, como no caso da fotógrafa Ana Amaral, ameaçada por um PM que apontou uma arma para a sua cabeça enquanto a jornalista cumpria o seu ofício.
Saibam todos que no Rio Pequeno do Norte o prefeito Josivan Bibiano, preso como mandante do assassinato de Edinaldo Filgueira acaba de receber um habeas corpus do Tribunal de Justiça do Rio Pequeno do Norte.
Sejam todos bem vindos ao Rio Pequeno do Norte, terra de lindos sítios, povo acolhedor e hospitaleiro. Mas tomem todos os devidos cuidados com que se diz, se escreve, se bloga. O Rio Pequeno do Norte é um dos Estados da ilusão democrática.

 

 

 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

QUAIS HERODES QUEREM MATAR A JUVENTUDE HOJE? (Mt 2,6-23)


Vivemos em tempos de morte de jovens. Além das mortes violentas, frutos da injustiça social, de um modelo público com falta de segurança e coerência, há mortes premeditadas, há mortes decididas em reuniões, há mortes institucionais, há mortes pastorais, há mortes com dia e hora marcadas para acontecer. Causando tudo isso, estão os “Herodes” que usando de seu poder de forma autoritária e opressora outorgam-se títulos divinos de decidir o que deve viver e o que deve morrer sem respeitar processo ou construção alguma, sem respeitar a vida.

Herodes, conforme narrou Mateus, reinava sobre a Palestina no tempo do nascimento de Jesus em Belém. O poderoso ficou sabendo da notícia sobre o nascimento do “recém-nascido rei dos judeus” (2,2) através dos magos do oriente. Ao saber disso, mexidos os brios do poder, o rei ficou alarmado com a notícia. A perplexidade aumentou quando os sábios de Jerusalém recordam a ele que segundo o profeta Miqueias o “Messias nasceria em Belém, a menor das cidades” (2,6). Diante disso, pede informações sobre o Menino. Quer que os magos voltem para lhes contar Dele. No entanto, esperou em vão notícias do Menino, pois os magos preferiram voltar à sua pátria por outro caminho, evitando Jerusalém, avisados em sonho dos planos matadores de Herodes. Vendo a falência de seu projeto, o rei decidiu pôr fim, de uma vez por todas, àquela “provável” ameaça. Destacou para Belém um pelotão de soldados com ordem de matar todos os meninos com menos de dois anos de idade.

Porém, Aquele que os assassinos procuravam já estava longe da cidade, pois a pequena família da Galileia fugiu para o Egito, avisada pelo anjo da ameaça e do perigo que corriam (2, 13-14). É o poder triunfal com medo do poder de um Menino. Os grandes que temem a força dos pequenos.

A história conta que houve pelo menos cinco Herodes. Esse que trouxemos acima é conhecido como Herodes, o grande (Mateus 2, 1.16). Outros são: Herodes Arquelau, que reinava na Judéia (Mateus 2,22). Herodes Antipas, que mandou prender e matar João Batista a pedido de Herodíades no banquete da morte (Mateus 14, 1.3 – Lucas 3, 1.19 – 23.7). Herodes Agripa, aquele que matou o Apóstolo Tiago, irmão de João (Atos 12, 1. 20-23). Herodes Agripa II (Atos 25, 13-26,32). É uma sucessão de opressores do povo, todos chamados Herodes.

Hoje são muitos os Herodes que tramam e que matam a juventude. Isso tudo se valendo de um direito que não existe. É como se a pena de morte existisse, mesmo ela não existindo. Temos pena de morte de fato e não de direito. Os poderosos e opressores não ligam para a vida. Em nome do poder, do acúmulo e do se manter nessa esfera, continuam fazendo como que Herodes, matando a juventude, matando sonhos, matando vidas...

Naquela época, os pais de Jesus foram avisados e eles fugiram para o Egito, salvando assim o Menino (teologicamente é uma atitude que quer fazer de Jesus um novo Moisés!). Hoje os/as jovens, tantas vezes, não são avisados ou têm suas vidas defendidas e, com isso, a morte ceifa milhares. Poucas pessoas e pouquíssimas instituições gastam suas vidas na defesa da vida da juventude.

São pouquíssimas as ações em defesa da vida. Diminui cada vez mais o número de pessoas que se arriscam a “fugir” junto com os/as jovens para salvá-los, para defender a vida. Igualmente são poucas as pessoas que não se deixam levar pelo sistema. Da mesma forma, aquelas que têm a mesma atitude dos Magos, mudam a sua rota de caminho para ajudarem na defesa da vida.

Essa triste realidade de mortes pensadas pelos poderosos não pode, porém, nos impedir de seguir na luta pela vida. Não pode nos impedir de fugir com os/as jovens, não fugindo da luta, mas fugindo da morte. Não pode nos impedir de mudar o caminho e ir na contramão do sistema, na defesa da vida. Sigamos, na defesa da vida da juventude, guiados pela Estrela.

Luis Duarte – PJ de Jataí/GO  (ICAR)
Maicon André Malacarne – Assessor da PJ de Erechim/RS (ICAR)

Fonte: Casa da Juventude (CAJU)

Conheça o livro Leitura Bíblica: a juventude mostra o caminho


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

ENTREVISTA COM OS ASSASSINOS DE EDINALDO FILGUEIRA: As perguntas que faltam



Por Joel Nogueira.
Jornalista

No último dia 18 a Polícia Civil divulgou à imprensa o relatório final do inquérito policial em que indicia o Prefeito do Município de Serra do Mel-RN, Josivan Bibiano Azevedo, como chefe do bando que assassinou o Jornalista, Blogueiro e Presidente do PT daquele município. Através do seu jornal O Serrano Edinaldo Filgueira criticava a administração municipal, esse, segunda a polícia, foi o motivo da execução do jornalista.
Nos dias seguintes ao indiciamento, o prefeito Josivan Bibiano concedeu entrevistas nas quais se disse inocente e alegou está sendo vítima de uma perseguição política.
O prefeito não disse quem trama contra ele, nem que interesses movem seus supostos perseguidores. Entretanto, uma fonte me revelou que, na verdade, trata-se de uma estratégia político-jurídica do acusado. Neste momento o inquérito está nas mãos do Procurador Geral de Justiça Manoel Onofre Neto e, caso este aceite a denúncia o processo seguirá para o Tribunal de Justiça do Estado. Tanto o Procurador Geral quanto os desembargadores são autoridades indicadas politicamente, por isso estes órgãos têm um enorme viés político. A aposta do prefeito é conseguir sensibilizar parte da opinião pública, construindo uma imagem de vítima, com isso conseguir o apoio de seus aliados ‘graúdos’, diga-se: governadora, senadores José Agripino e Garibalde Alves, além de alguns deputados, para uma pressão sobre o Procurador com vistas ao arquivamento do processo. Caso esse plano falhe, a defesa do prefeito já prepara uma tese jurídica baseada em questões processuais afim de derrubar o inquérito do delegado Odilon no tribunal - mais uma vez com o apoio de seus aliados políticos.
Uma fonte de próximo do prefeito contou que o deputado que intermedia os contatos, “disse aguardar que o prefeito melhore sua imagem para que possa ajudá-lo”. Por isso Bibiano Azevedo colocou em prática seu plano, construiu os argumentos com seu advogado e articulou com os seus aliados locais e da imprensa uma certa “agenda positiva” em relação a sua imagem. Os jornalistas que se prestaram a esse papel fizeram um tremendo esforço para limpar a barra do prefeito, mas acabaram ficando ridicularizados. Longe do bom jornalismo as entrevistas foram panfletárias, típicas de trabalhos sob encomenda. Faltou senso crítico e restou nítida a intenção do bando.
Em homenagem ao bom jornalismo, tão bem representado por Edinaldo, sugerimos a seguir algumas perguntas que devem feitas ao prefeito:

1)      Quem persegue o Prefeito? Seria a Polícia Civil do Governo Rosalba Ciarlini, sua aliada ou sua própria família?
2)      Quem elaborou a listas contendo quatro dos maiores opositores do prefeito? A quem essas mortes interessam? Aos opositores (que pretende morrer)?
3)      Qual sua relação com seus primos acusados da execução do crime?
4)      Você acha que eles também são inocentes? Se são, porque a justiça os mantêm presos preventivamente, 3 deles no presídio federal?
5)      Quem levou esses “matadores de aluguel” (expressão usada pela Polícia Federal) e quem os mantinham na Serra do Mel?
6)       Por que a prefeitura, no seu mandato, pagou mais de 200.000 cópias xerográficas por ano, equivalente a 16.600 por mês, mais de 750 por dia, ao Daniel Azevedo, um dos “matadores de aluguel”?
7)      Por que Cícera (agenciadora do bando) tinha cargo comissionado na prefeitura sem nunca ter trabalhado?
8)      Se você não tinha nada contra Edinaldo, por que determinou o corte da energia elétrica do palco em que o mesmo realizava o festival “A Mais Bela Voz” em 2007? Por que sempre boicotou as iniciativas do mesmo como: provedor de internet e o próprio jornal;
9)      Por que você viajou para o exterior acompanhado de seu advogado Dr. Francisco Welington, logo após o assassinato de Edinaldo? Você temia que algo pudesse “dar errado”? Que a polícia pudesse chegar em você antes? Você planejou a possibilidade de não retornar ao país?
10)   É verdade que você devia dinheiro ao Ex-vereador João Hélio, assassinado em circunstância parecida, e o mesmo estava cobrando sua família?


Essas são algumas perguntas que poderiam ser feitas. Se você tem alguma pergunta ou mesmo respostas a fazer aos assassinos de Edinaldo, nos mande para: edinaldooserrano@hotmail.com.

sábado, 1 de outubro de 2011

CASO EDINALDO: PRESO PAI DE VEREADORA E TIO DE PREFEITO

Na manhã desta quinta-feira (29), aconteceu uma operação conjunta da Polícia Federal e Polícia Civil na casa da vereadora Lívia Azevedo que resultou na prisão de seu pai, Adriano Azevedo. A vereadora Lívia Azevedo (PSDB) é prima do prefeito Bibiano Azevedo (PSDB) e entrou nas investigações devido a relação pessoal que tinha com Edinaldo. No dia do assassinato a vereadora foi uma das primeiras pessoas a chegarem ao local e, segundo informações, coletou alguns pertences da vítima, inclusive o celular e o computador portátil onde Edinaldo preparava a edição do Jornal o Serrano do dia seguinte quando foi assassinado. Nos depoimentos que prestou à polícia Lívia Azevedo negou qualquer participação no crime e enfatizou sua proximidade com a vítima, porém caiu em contradição por diversas vezes o que levantou a suspeita de uma possível colaboração no fornecimento de informações sobre a vítima, inclusive o fato de Edinaldo está preparando matérias jornalísticas com novas denúncias contra a gestão municipal.
Lívia que nunca tinha tido qualquer atividade política, foi eleita no último pleito municipal graças ao apoio do atual prefeito que também é seu primo.
Já o último preso no caso, Adriano Azevedo, pai da vereadora e tio do prefeito Bibiano Azevedo é um importante contribuidor das campanhas eleitorais da família e destaca-se pela proximidade que tem com os suspeitos já presos: Daniel Azevedo, Rafânio Brito de Azevedo e Raniere.
Na noite do assassinato, Adriano e Daniel foram os primeiros a chegarem ao local onde encontrava-se o corpo de Edinaldo. Daniel é acusado de ser o terceiro homem da moto, responsável por apontar a vítima para os matadores. Na ação policial desta quinta-feira a Polícia Federal também encontrou na casa do pai da vereadora diversos galos com sinais de maus-tratos, suspeita-se que o local era usado para a realização de rinhas motivo pelo qual a Polícia ambiental também foi chamada para cumprir diligências.

NOVAS PRISÕES
Na semana passada já havia sido preso Artemísio Azevedo irmão do Rafânio e de Raneire Azevedo, sob a acusação de intimidação de testemunhas e de está dando sequência a empresa criminosa da família. Também na semana passada seis dos presos foram transferidos para o Presídio Federal por estarem se comunicando com o exterior da prisão com o proposito de obstruir as investigações.
Com as últimas prisões já são cinco o número de parentes próximos do prefeito Josivan Bibiano (PSDB) que estão detidos por envolvimento no caso.

RELEMBRANDO O CASO
(Por Sayonara Amorim, Jornal Gazeta do Oeste) O Editor do Jornal Serrano e do Blog de mesmo nome, Líder Regional do Partido dos Trabalhadores (PT) na Região de Serra do Mel, Oeste Potiguar, Ednaldo Filgueira foi executado por três pistoleiros, no dia 15 de junho deste ano, por volta das 22h, quando se encontrava em frente ao imóvel onde mantinha um comércio de informática e também onde funcionava o jornal de sua responsabilidade, situado no centro do município.
Quando foi surpreendido pelos matadores, a vítima estava conversando com outros três moradores que presenciaram a execução.
Os matadores usaram uma motocicleta para se aproximar da vítima, ocasião em que lhe desferiram vários disparos de arma de fogo, ocasionando o óbito ainda no local da emboscada.
Uma operação denominada “Matadores de Aluguel”, deflagrada no dia 1º de junho pelas polícias Civil e Federal, conseguiu identificar e prender os assassinos do líder do Partido dos Trabalhadores (PT) de Serra do Mel Ednaldo Filgueira.
O trabalho resultou na prisão de três homens, apreensão de armas e muita munição.
A investigação aconteceu de forma intensificada e sigilosa, determinada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado e precisou do auxílio da Polícia Federal.
O nome da operação faz referência à atividade da quadrilha presa, já que alguns dos membros exerciam como atividade criminosa a execução de pessoas sob encomenda e por dinheiro. O trabalho da polícia investiga também outras possíveis mortes ocorridas no Estado com as mesmas características e praticadas pela quadrilha.
Após o assassinato de Ednaldo, os representantes da Secretaria de Segurança Pública do Estado e da Polícia Federal do Rio Grande do Norte optaram por realizar um trabalho conjunto, tendo sido designado o Delegado Odilon Teodósio, da Polícia Civil, e o Delegado Elton Zanatta, da Polícia Federal, para comandarem as equipes.
A participação da Polícia Federal nas investigações do crime foi motivada por três fatores: O primeiro, por determinação da Direção Geral do DPF, para verificar se este homicídio poderia estar relacionado, de alguma maneira, à onda de violência e assassinatos que ocorreu no final do mês de maio, no Norte do País (Pará e Rondônia) contra líderes de movimentos sindicais e populares. Até porque a região é conhecida pelo seu modelo agrário, desde os anos 80.
O segundo, pelo fato de Ednaldo Filgueira estar ligado à atividade jornalística, tanto que era o Editor do Jornal O Serrano, com abrangência na cidade de Serra do Mel e municípios próximos (www.jornalserrano.webnode.com.br).
Edinaldo, como formador de opinião, segundo ficou apurado, tinha forte atuação na área comunitária e política. Ao matarem o profissional, os responsáveis feriram um dos principais pilares do Estado Democrático de Direito, que é a liberdade de imprensa.

MOTIVAÇÃO - Assim que as investigações tiveram início, as vertentes relacionadas a dívidas, vida pessoal, drogas e ou quaisquer outros fatos desabonadores, comumente detectados em investigações deste tipo, foram rapidamente afastados.
O que se constatou, no quadro de provas colhidas já nos primeiros momentos, foi que Ednaldo Filgueira exercia uma liderança positiva na comunidade. A habilidade de Ednaldo em lidar com o povo era exteriorizada por meio de suas atividades de formador de opinião, militante e também como promotor de eventos.
Segundo se pode comprovar até este momento, Ednaldo foi morto em decorrência de sua atividade jornalística, em especial, por estar criticando pessoas ligadas ao mundo político daquele município.
A polícia está convicta que o líder do PT em Serra do Mel foi vítima de homicídio sob encomenda, cuja ordem partiu de alguém que estava se considerando prejudicado pelo trabalho jornalístico desenvolvido por aquele profissional. A conduta jornalística da vítima estaria contrariando interesses espúrios.
OS EXECUTORES DE EDNALDO – Rafanio Brito de Azevedo, 30, “Alemão” – responde por assalto e homicídio. Foi o agenciador e intermediário entre os mandantes e os executores; Abnadabe Nunes Ismael Pereira da Silva, 31, “Foguinho” ou “Qualhada”, responde por assalto e é fugitivo da DEFUR de Mossoró – um dos executores; Francisco Fabio Ferreira, 23, “Galego”, responde por furto de automóveis, também atuou como um dos executores; Paulo Ricardo da Costa, 24, “Paulinho”, responde à tentativa de homicídio; junto com Galego e Foguinho formam o trio que executou Ednaldo.
A operação prendeu ainda Marcélio de Sousa Moura, 29, que exerceu como função no crime, guardar armas do bando e prestar apoio logístico ao bando.
ARMAS APREENDIDAS COM O BANDO - Duas espingardas do calibre 12 e dois revólveres na casa de Rafanio, em Natal, sendo um dos revólveres de propriedade de Galego e o segundo usado por Foguinho; quatorze cartuchos do calibre 12 e dezoito munições do calibre 38, intactas.
Uma espingarda do calibre 12 e um revólver do calibre 38 na casa de um parente de Paulinho, ambas pertencentes a ele e escondidas por ele, que costumava ficar a maior parte do tempo na casa de sua sogra em Mossoró. A espingarda foi achada enterrada no quintal do imóvel tipo casa, situado na Vila Guanabara, Serra do Mel e mais dez munições do calibre 38 e duas de calibre 12.

Uma espingarda de calibre 12 e um revólver de calibre 38 na casa de Marcélio de Sousa, situada na Vila Guanabara, Serra do Mel; a espingarda enterrada no quintal do imóvel. O revólver pertencia a Galego. Cinco munições de calibre 38 e nove munições de calibre 12 e mais cinco cartuchos vazios de calibre 38, provavelmente os que foram disparados pelo revólver que Galego usou para matar Ednaldo.

FONTE:
From: Ícaro Junior
icarosou@hotmail.com
Subject: Caso Edinaldo - 1° Blogueiro assassinado no Brasil
Date: Fri, 30 Sep 2011 15:24:00 +0300

Caros amigos da Blogsfera, Bom dia.
Trago-lhes notícias do caso Ednaldo, blogueiro morto no município de Serra do Mel-RN.
Segundo o Blog de Luis Nassif, Edinaldo Filgueira foi o primeiro blogueiro assassinado no Brasil por sua atividade jornalística. Ver postagem http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-primeiro-blogueiro-brasileiro-assassinado

sábado, 30 de julho de 2011

MISSA DE TRIGÉSIMO DIA E CAMINHADA PELA PAZ EM HOMENAGEM A EDINALDO

A missa de trigésimo dia do falecimento de Ednaldo Filgueira ocorrido em 17 de junho foi marcada por muita comoção e pedidos de justiça. Antes da Missa ocorreu uma caminhada pela paz e de Homenagem a Edinaldo. Uma multidão formada por familiares, amigos, autoridades do Partido dos Trabalhadores e centenas de populares percorreram um trajeto de cerca de 2 km, da residência dos familiares de Ednaldo até a igreja matriz de Serra do Mel. Entre as autoridades presentes estava a Deputada Federal Fátima Bezerra (PT); o Deputado Estadual Fernando Mineiro (PT); o presidente do diretório estadual da legenda Fernando Lucena, o Jornalista e Escritor Crispiniano Neto, o Secretário Executivo do Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA, Valmir Alves; o Tesoureiro da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Norte – FETARN, Manoel Cândido; entre outros. Ao chegar na sede do Jornal O Serrano ocorreu um dos momentos mais emocionante do evento, quando foi feito uma oração e um familiar e um colega de partido de Edinaldo tomaram a palavra para lhe renderem homenagens. A emoção tomou conta dos presentes e ouviu-se muito choro.
A Caminhada pela Paz e de Homenagem a Edinaldo comoveu e mobilizou a população da cidade, na qual através de faixas e cartazes prestamos homenagem ao líder político e comunicador popular que tanto se identificava com a população, especialmente com os mais pobres.
Ao chegar à Igreja o cortejo lotou todos os espaços. Durante toda a celebração, conduzida pelo Pe. Pedro, dava para se perceber a comoção no semblante dos presentes.
Outro momento importante ocorreu ao final da Missa quando familiares e amigos ocuparam o microfone ao lado do altar para falar sobre Edinaldo. Sua irmã leu, com a voz embargada pela forte emoção, mensagem que exaltavam o legado heróico do irmão. Sua sobrinha destacou o exemplo de vida reta do tio e o seu sacrifício, comparando a sua trajetória à dos santos e mártires da igreja.
Destacamos o que estava escrito em algumas das faixas empunhadas pelos presentes:
“Bem aventurados os que têm sede e fome de Justiça, porque eles verão a Deus.”
“Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da Justiça, porque deles é o Reino dos céus.”
“Por aquele que deu a vida pela justiça, que seja feita a justiça dos homens, e que prevaleça a justiça de Deus.”
“E o efeito da Justiça será Paz, e a operação da Justiça: repouso e segurança para sempre.” IS: 32,17
“Um homem sem dignidade está morto em vida, um homem com dignidade, mesmo morto vive eternamente. Edinaldo, um homem digno a ser chamado de vitorioso.”
“Edinaldo, Obrigado pelo o seu sorriso. E por nos fazer acreditar que existem anjos na Terra, e quando se vão viram estrela no Céu.”