domingo, 1 de julho de 2012

Imagens da Missa de 01 ano do Falecimento de

Imagens da Missa de 01 ano do Falecimento de
EDINALDO FILGUEIRA, ocorrido em 15.06.2011 a missa foi celebrada na
Igreja de Nossa Senhora Aparecida na Vila Brtasilia - Serra do Mel, RN no dia 17.06.2012

terça-feira, 26 de junho de 2012

Morre em Recife o padre das causas sociais, Pedro Neffs


Terça-feira, 26 de Junho de 2012 às 00:00 / Por: Redação
Morre em Recife (PE) aos 83 anos o padre Peter Marinus Maria Neefs, padre Pedro Neffs.
Religioso de origem holandesa, Pedro Neffs foi o responsável por um amplo trabalho social em cidades do Médio Oeste potiguar e será sepultado às 8h desta quarta-feira, na Igreja Matriz de Santanna, em Campo Grande.
Padre Pedro havia se recuperado recentemente de um delicado problema de saúde, mas teve agravamento do quadro e veio a óbito nessa segunda-feira.
No final do ano passado, o padre Pedro foi internado com quadro de infecção urinária e insuficiência respiratória e passou por tratamento no Hospital Português (Recife), ganhando alta e retornando ao abrigo de padres na Várzea, em Recife.
Natural da cidade de Breda, Holanda, Neffs nasceu no dia 3 de fevereiro de 1929. No ano de 1940, foi enviado ao Seminário Menor, onde começou os estudos teológicos.
Convidado por um grupo de padres do Sagrado Coração de Jesus, chegou ao Brasil em 1952, para concluir o seminário maior.
No Brasil, Peter Marinus Neffs traduziu o nome para o português e manteve seu sobrenome, assim se transformou em Pedro Neffs. Foi ordenado no dia 1º de dezembro de 1957, no Recife-PE.
Em 1957, retornou à Holanda para ser ordenado padre e celebrar sua primeira missa.
Dois anos mais tarde foi enviado à cidade de Beberibe-CE para realizar o trabalho de pároco. No entanto, suas ideias não foram aceitas, sendo "expulso"da paróquia pelos superiores.
Em 1965, Pedro Neffs iniciou sua trajetória em terras potiguares ao ser transferido para a paróquia de São João Batista e Nossa Senhora da Conceição, sediada na cidade do Apodi, substituindo o padre Manoel Balbino da Silva.
Pedro Neffs permaneceu em Apodi até o ano de 1970, quando foi substituído pelo padre André Demertetelaeere.
Na Diocese de Mossoró, padre Pedro encontrou apoio para desenvolver importantes programas sociais.
Segundo ele, na realidade era uma diocese com padres muito avançados. Porém, diante do trabalho de repressão e das diferenças de pensamento na própria igreja, padre Pedro destacava que nessa época descobriu na Diocese de Mossoró "que existia uma igreja oficial e uma igreja do povo". Padre se destacou pela causa da reforma agráriaNa década de 1970, após um boato de que seria candidato a prefeito em Apodi, padre Pedro Neffs foi afastado pela Diocese de Santa Luzia de Mossoró dos trabalhos como pároco da Paróquia de São João.
Em 5 de agosto de 1979, o padre que se mostrava como ícone regional das lutas e causas sociais, se integrava na Paróquia de Santana, em Campo Grande, antiga Augusto Severo, onde sua trajetória de formação política chegou ao ápice.
O trabalho desenvolvido na paróquia se voltou para a defesa dos mais necessitados, principalmente na luta pela reforma agrária, que ganhou força após a disseminação de suas ideias.
Ao chegar à cidade, o pároco se aproximou do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, que prestava assessoria à população ligada ao campo.
O holandês ainda se vinculou aos jovens. O trabalho de formação política foi vital na busca do seu ideal.
"Na Semana Santa de 1980, juntou 80 jovens de Campo Grande e fundou o grupo de jovens, que foi o primeiro grupo da cidade", destacou a coordenadora da Cooperativa Sertão Verde, Zuleide Araújo, em relato ao blog Oeste News.
Após décadas de um trabalho incansável pela integração social, Pedro Neffs passou a viver e passar por tratamento de saúde em Recife-PE. Depois de passar vários anos numa cadeira de rodas, conseguiu voltar a andar precariamente, mas com a saúde debilitada.
Sua partida deixa uma grande lacuna em meio às alas de atuação social na Igreja Católica do Rio Grande do Norte.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Homenagens se darão por todo o país




A família de Edinaldo Filgueira está organizando uma missa e uma caminhada em Serra do Mel, no próximo dia 15, em memória do jornalista. Além disso, estão previstos diversos movimentos para que o caso não passe desapercebido.

Um documentário em vídeo tem circulado o país visando chamar atenção para o caso e para a liberdade de expressão. Foto: De Ferro e De Flor/Divulgação
Os blogueiros progressistas estão programando um twittaço em todo o país para o dia 15 de junho e tentam agendar um debate na Assembleia Legislativa do RN para esse dia. "Edinaldo era um filho de agricultores analfabetos, que não possuíam sequer um nome de família, e que conseguiu estudar, ter formação de bacharel, criar um jornal, levar a internet para a sua cidade, criar uma lan house, prestar serviços de instalação de internet. Algumas pessoas têm solidariedade e até veem o Edinaldo como um mártir na luta pela democratização da comunicação e liberdade de expressão, disse Tiago Aguiar.

Memória
Edinaldo Filgueira tinha 36 anos e era colaborador do jornal O Serrano, que circulava em Serra do Mel e localidades próximas, e era um dos responsáveis pelo blog do periódico. O blogueiro era umdos principais opositores à gestão do PSDB na cidade, situada numa região com forte incidência do crime organizado. Na véspera do crime, Ednaldo havia publicado no blog uma enquete perguntando à população se era possível acreditar na prestação de contas da prefeitura. No dia seguinte, o blogueiro recebeu ligações anônimas com ameaças e cobranças de retirada da enquete do site, o que ocorreu em seguida. Poucas horas depois, enquanto fechava o seu local de trabalho, três homens o abordaram e dispararam seis tiros.

O Diário de Natal - Edição de sexta-feira, 8 de junho de 2012 

Caso Edinaldo Filgueira: blogueiros pedem justiça

Diversas atividades homenagearão o blogueiro potiguar que teve a voz silenciada. Prefeito de Serra do Mel foi indiciado

No próximo dia 15 de junho, o assassinato do jornalista e blogueiro Edinaldo Filgueira, que também era presidente do diretório municipal do PT de Serra do Mel, completará um ano. O caso foi investigado pelas Polícias Civil e Federal e concluiu-se que o crime teve motivação política.

Uma comissão nacional pedirá que o TJRN julgue os oito acusados pelo crime. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação
O prefeito de Serra do Mel, Josivan Bibiano de Azevedo (PSDB), foi indiciado como autor intelectual do crime e chegou a ser preso em dezembro do ano passado, à véspera do Natal, mas foi solto 10 dias depois. Em homenagem ao jornalista, os blogueiros progressistas pretendem instituir o dia 15 de junho como Dia Nacional do Blogueiro.

O projeto de lei deverá ser encaminhado nos próximos dias ao Congresso Nacional por uma comissão formada por representantes de vários estados do país. No III Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que aconteceu recentemente em Salvador, os participantes apresentaram propostas referentes ao caso. Dentre as sugestões aprovadas, está a formação da comissão que pretende entregar um documento à presidenta do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, desembargadora Judite Nunes, cobrando celeridade no julgamento do processo.

"Os três pistoleiros que executaram Edinaldo estão aguardando o julgamento presos, todos parentes do prefeito do município. Mas os demais (cinco envolvidos) estão respondendo em liberdade. O clima de impunidade é muito grande, pois o prefeito Josivan Bibiano ficou em cárcere por apenas 10 dias e hoje segue administrando o município, livre. E isso tem despertado em quase toda a população daquela cidade o sentimento de que ele é inocente, já que não está mais preso, ou de que ele faz o que quer, pois detém o poder", disse Tiago Aguiar, blogueiro e diretor do documentário De Ferro e de Flor, produzido em homenagem ao trabalho de Edinaldo Filgueira, destacando a questão dos direitos humanos e da liberdade de expressão.

"A sensação maior de impunidade está por o Rio Grande do Norte ter um judiciário extremamente duvidoso, com muitos casos decorrupção. Acreditamos que a justiça depende da mobilização de pessoas em todo o Brasil e também no mundo, que se identifiquem e se indignem, que tenham solidariedade. As provas são claras, existem gravações telefônicas que mostram como tudo aconteceu", completou o ativista, que produziu o documentário em parceria com a jornalista Adriana Amorim.


FONTE: O Diário de Natal - Sexta-feira, 8 de junho de 2012

Fotos da caminhada e Missa em homenagem a Edinaldo - Homenagem ao bloguero potiguar que teve a voz silenciada:

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



















terça-feira, 22 de maio de 2012

Sobre homens feitos de ferro e de flor



“Mas existe nesta terra
muito homem de valor
que é bravo sem matar gente
mas não teme o matador
que gosta de sua gente
e que luta a seu favor
como Edinaldo Filgueira*
feito de ferro e flor”


Serra do Mel é uma pequena cidade no interior do Rio Grande do Norte, uma terra onde muitas leis apenas estão nos livros e papeis, e que a realidade não é crível.
Fruto de um projeto de reforma agrária, a cidade foi planejada com 23 agrovilas, projeto baseado nos moshav israelenses. Cada agrovila possui um nome de um estado brasileiro, e o centro administrativo está nas vilas de Brasília e do Rio Grande do Norte, hoje conurbadas.
Uma cidade em que a democracia é apenas uma ilusão. Uma cidade em que a única torre de telefonia é desligada a mando dos poderosos conforme o seu interesse. Uma cidade em que seus habitantes não escolhem democraticamente os seus governantes. Uma cidade em que o coronelismo se espelha no número de eleitores, dois mil votantes a mais que habitantes, com ônibus transportando desconhecidos dos locais. Uma cidade em que é proibido andar de capacetes em motocicletas, em face ao crime organizado e constante ameaça de pistoleiros.
Edinaldo Filgueira era um dos colonos de Serra do Mel, e sua batalha era contra a opressão e o sistema coronelista local. Foi o fundador e editor do primeiro jornal da cidade, também foi o homem que levou o acesso a internet para Serra do Mel, tanto o provedor de acesso, quanto a lan house da pequena cidade.
Com muito suor conseguiu se formar em administração de empresas, viajando 60km todas as noites após um dia de trabalho. Mas Edinaldo era incansável, era o organizador independente que tocava grupos de teatros, concursos de canções, mostras folclóricas de boi de reis.
Ednaldo, antes de tudo, acreditava na informação como forma de libertação da humanidade. Acreditava que o conhecimento e a comunicação livres eram as armas para destruir os grilhões. Edinaldo era blogueiro, e foi assassinado ao questionar a população através de uma enquete em seu blogue sobre a educação pública de Serra do Mel. Ameaçado, retirou a enquete do ar – mas a sua vida já estava encomendada a um grupo de pistoleiros, já perseguidos pela polícia na operação “matadores de aluguel”. Sua vida foi ceifada em frente de seu pequeno comércio, um dia após colocar na web a enquete, sem direito à defesa, de maneira covarde. A loja de Edinaldo ficava a apenas 50m da delegacia de polícia, mas nada foi feito em sua defesa.
Edinaldo foi morto quando concluía a edição 51 de seu jornal. Resgatamos o material inconcluso, escrevemos alguma homenagem, e entregamos ao povo de Serra do Mel.Esta edição do jornal pode ser lida aqui. Edinaldo conseguiu que a edição 51 do Jornal o Serrano fosse distribuída, mas Edinaldo nunca poderá ser substituído.
Que Edinaldo nunca seja esquecido, calado, que a sua voz sempre ecoe. Faltam palavras para este que escreve sobre a tristeza amarga de ver uma pessoa simples, humilde, lutadora, ser morta. Mas não faltará trabalho, nem vontade de lutar por justiça. O prefeito de Serra do Mel é indiciado como autor intelectual do crime, e entre os matadores presos, três são parentes do prefeito. Somos frágeis, somos humanos, mas somos muitos. Os poderosos não poderão dar conta de todos.
*Poema escrito por Ferreira Gullar para homenagear o líder camponês Gregório Bezerra, lido durante a entrega dos jornais em Serra do Mel como parte das homenagens a Edinaldo Filgueira. (17/12/2011)

Edinaldo Filgueira: Sobre tubarões e sobre homens



Originalmente publicado no Diário de Natal, no dia 27/12/2011

Entrevista >> Lázaro Amaro – Advogado
“Caso despertou meu repúdio”
Tiago Aguiar // Especial para o Diário de Natal
Qual a sua atuação no caso Edinaldo Filgueira?
O caso Edinaldo Filgueira, além de ter-me chocado, por sua hediondez, despertou meu repudio, em decorrência de sua motivação política. Coordeno uma equipe de advogados, todos dispostos e comprometidos em atuar na condição de assistentes do Ministério Público, pela garantia de justiça no caso Edinaldo Filgueira, mas, também, para que a sociedade e o estado, a par de punirem os criminosos, possam desmantelar essa verdadeira rede criminosa, restituindo a segurança e a liberdade do povo da Serra do Mel.
Qual a relação pessoal entre os presos e acusados?
Os réus Rafânio Azevedo, Ranielly Azevedo e Daniel Azevedo são irmãos entre si e primos do Prefeito Bibiano Azevedo, enquanto a ré Cícera Soares viveu maritalmente com um irmão daqueles primeiros, até pouco tempo atrás, tendo permanecido com os vínculos familiares, políticos, negociais e delituosos. Há muitas evidências de que o grupo mantinha cumplicidade e co-autoriana pratica de vários crimes.
Quais as razões que levaram à prisão do prefeito de Serra do Mel?
Chamado para prestar declarações pelo Dr. Odilon Teodósio, delegado que presidiu o inquérito e o indiciou, a defesa do prefeito, surpreendentemente, ajuizou um Habeas Corpus ao Juízo de Primeira Instancia em Mossoró, de maneira que não deve ter sido surpreendido com a ordem de prisão. No momento da prisão, o prefeito Bibiano encontrava-se na sede do município de Serra do Mel.
Quem é o autor intelectual do crime, o que o motivou e quais são as provas colhidas que apontam o mandante do crime?
O momento processual não permite a exploração publica desses pontos, salvo o de que as provas demonstram que a motivação para o crime foi essencialmente política, no sentido de que a atividade jornalística de Edinaldo, somada a sua postura critica e sua militância partidária, representava uma ameaça aos projetos políticos do prefeito Bibiano, especialmente por desnudar, no “Blog” e no Jornal “O Serrano”, as irregularidades e falhas da administração do Município de Serra do Mel, embora sempre com direito de resposta.
Você tem conhecimento sobre eventuais perseguições sofridas por Edinaldo pelo prefeito, em outros momentos?
Alguns depoimentos de testemunhas deram conta de que Edinaldo vinha sofrendo ameaças, e o depoimento da ré Cícera, já em Juízo, corroborou essa afirmação quando disse, alegando um suposto insulto de Edinaldo contra a filha do Prefeito Bibiano, que o réu Rafânio Azevedo lhe havia pedido para conseguir o numero do telefone da vitima, para que pudesse ligar diretamente para ele.
Por que existem dois processos para um mesmo caso?
Infelizmente, nossa legislação, talvez pelos vínculos históricos entre muitos legisladores e os delinquentes ocupantes do Poder, estabelece foros de privilégios para muitas autoridades publicas, de modo que o prefeito Josivan Bibiano de Azevedo, indiciado como mandante do crime contra Edinaldo, livra-se do Tribunal do Júri para ser julgado pelo Tribunal de Justiça do Estado.

Rio Pequeno do Norte: O estado da ilusão democrática



Quando os navegadores portugueses encontraram o estuário do rio Potenji, acabaram por batizar a capitania hereditária com o nome de Rio Grande do Norte. É um fato curioso e irônico, tendo em vista que em quase toda sua extensão o rio é tímido e acanhado, pouco caudaloso e até mesmo temporário, tendo real vigor somente no encontro com as águas do mar que invadem o continente.
Tal e qual os navegantes foram iludidos pela miragem de um grande rio que em real e concreto é apenas um riacho, as instituições republicanas dão hoje em dia a impressão que vive-se em um estado democrático de direito. Mas a nossa justiça apenas funciona para ladrões de galinha e pretos, pobres, traficantes pés de chinelo. Tendo dinheiro, estando no poder, se inocenta ou se prescreve – é a ilusão democrática.
Na Capitania do Rio Pequeno do Norte a liberdade de comunicação acaba nas armas em mãos de homens ferozes, quadrilhas de pistoleiros que refletem um moderno cangaço de aluguel. Nas últimas estações dois jornalistas foram assassinados nestas paragens, lembra a ANJ, enquanto em todo o Brasil este número foi de cinco. Talvez o órgão patronal não tenha dado conta que os jornalistas mortos no Rio Pequeno do Norte não serviam às empresas corporativas, eram independentes.
Foram eles F. Gomes e Edinaldo Filgueira, além de jornalistas, blogueiros, que desafiavam o sistema coronelista, que denunciavam a macro estrutura criminosa e que em idêntica condição foram assassinados por um grupo de pistoleiros vindos em motos, e a bala, na frente do local de trabalho, encomenda cumprida.
Destarte, as empresas corporativas em suas negociações trabalhistas com o sindicato dos jornalistas humilham a classe,sendo o Rio Pequeno do Norte o estado em que o menor piso salarial é pago aos trabalhadores da comunicação. Trabalhadores estes que em seu ofício recebem ameaças da própria polícia, como no caso da fotógrafa Ana Amaral, ameaçada por um PM que apontou uma arma para a sua cabeça enquanto a jornalista cumpria o seu ofício.
Saibam todos que no Rio Pequeno do Norte o prefeito Josivan Bibiano, preso como mandante do assassinato de Edinaldo Filgueira acaba de receber um habeas corpus do Tribunal de Justiça do Rio Pequeno do Norte.
Sejam todos bem vindos ao Rio Pequeno do Norte, terra de lindos sítios, povo acolhedor e hospitaleiro. Mas tomem todos os devidos cuidados com que se diz, se escreve, se bloga. O Rio Pequeno do Norte é um dos Estados da ilusão democrática.

 

 

 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

QUAIS HERODES QUEREM MATAR A JUVENTUDE HOJE? (Mt 2,6-23)


Vivemos em tempos de morte de jovens. Além das mortes violentas, frutos da injustiça social, de um modelo público com falta de segurança e coerência, há mortes premeditadas, há mortes decididas em reuniões, há mortes institucionais, há mortes pastorais, há mortes com dia e hora marcadas para acontecer. Causando tudo isso, estão os “Herodes” que usando de seu poder de forma autoritária e opressora outorgam-se títulos divinos de decidir o que deve viver e o que deve morrer sem respeitar processo ou construção alguma, sem respeitar a vida.

Herodes, conforme narrou Mateus, reinava sobre a Palestina no tempo do nascimento de Jesus em Belém. O poderoso ficou sabendo da notícia sobre o nascimento do “recém-nascido rei dos judeus” (2,2) através dos magos do oriente. Ao saber disso, mexidos os brios do poder, o rei ficou alarmado com a notícia. A perplexidade aumentou quando os sábios de Jerusalém recordam a ele que segundo o profeta Miqueias o “Messias nasceria em Belém, a menor das cidades” (2,6). Diante disso, pede informações sobre o Menino. Quer que os magos voltem para lhes contar Dele. No entanto, esperou em vão notícias do Menino, pois os magos preferiram voltar à sua pátria por outro caminho, evitando Jerusalém, avisados em sonho dos planos matadores de Herodes. Vendo a falência de seu projeto, o rei decidiu pôr fim, de uma vez por todas, àquela “provável” ameaça. Destacou para Belém um pelotão de soldados com ordem de matar todos os meninos com menos de dois anos de idade.

Porém, Aquele que os assassinos procuravam já estava longe da cidade, pois a pequena família da Galileia fugiu para o Egito, avisada pelo anjo da ameaça e do perigo que corriam (2, 13-14). É o poder triunfal com medo do poder de um Menino. Os grandes que temem a força dos pequenos.

A história conta que houve pelo menos cinco Herodes. Esse que trouxemos acima é conhecido como Herodes, o grande (Mateus 2, 1.16). Outros são: Herodes Arquelau, que reinava na Judéia (Mateus 2,22). Herodes Antipas, que mandou prender e matar João Batista a pedido de Herodíades no banquete da morte (Mateus 14, 1.3 – Lucas 3, 1.19 – 23.7). Herodes Agripa, aquele que matou o Apóstolo Tiago, irmão de João (Atos 12, 1. 20-23). Herodes Agripa II (Atos 25, 13-26,32). É uma sucessão de opressores do povo, todos chamados Herodes.

Hoje são muitos os Herodes que tramam e que matam a juventude. Isso tudo se valendo de um direito que não existe. É como se a pena de morte existisse, mesmo ela não existindo. Temos pena de morte de fato e não de direito. Os poderosos e opressores não ligam para a vida. Em nome do poder, do acúmulo e do se manter nessa esfera, continuam fazendo como que Herodes, matando a juventude, matando sonhos, matando vidas...

Naquela época, os pais de Jesus foram avisados e eles fugiram para o Egito, salvando assim o Menino (teologicamente é uma atitude que quer fazer de Jesus um novo Moisés!). Hoje os/as jovens, tantas vezes, não são avisados ou têm suas vidas defendidas e, com isso, a morte ceifa milhares. Poucas pessoas e pouquíssimas instituições gastam suas vidas na defesa da vida da juventude.

São pouquíssimas as ações em defesa da vida. Diminui cada vez mais o número de pessoas que se arriscam a “fugir” junto com os/as jovens para salvá-los, para defender a vida. Igualmente são poucas as pessoas que não se deixam levar pelo sistema. Da mesma forma, aquelas que têm a mesma atitude dos Magos, mudam a sua rota de caminho para ajudarem na defesa da vida.

Essa triste realidade de mortes pensadas pelos poderosos não pode, porém, nos impedir de seguir na luta pela vida. Não pode nos impedir de fugir com os/as jovens, não fugindo da luta, mas fugindo da morte. Não pode nos impedir de mudar o caminho e ir na contramão do sistema, na defesa da vida. Sigamos, na defesa da vida da juventude, guiados pela Estrela.

Luis Duarte – PJ de Jataí/GO  (ICAR)
Maicon André Malacarne – Assessor da PJ de Erechim/RS (ICAR)

Fonte: Casa da Juventude (CAJU)

Conheça o livro Leitura Bíblica: a juventude mostra o caminho


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

ENTREVISTA COM OS ASSASSINOS DE EDINALDO FILGUEIRA: As perguntas que faltam



Por Joel Nogueira.
Jornalista

No último dia 18 a Polícia Civil divulgou à imprensa o relatório final do inquérito policial em que indicia o Prefeito do Município de Serra do Mel-RN, Josivan Bibiano Azevedo, como chefe do bando que assassinou o Jornalista, Blogueiro e Presidente do PT daquele município. Através do seu jornal O Serrano Edinaldo Filgueira criticava a administração municipal, esse, segunda a polícia, foi o motivo da execução do jornalista.
Nos dias seguintes ao indiciamento, o prefeito Josivan Bibiano concedeu entrevistas nas quais se disse inocente e alegou está sendo vítima de uma perseguição política.
O prefeito não disse quem trama contra ele, nem que interesses movem seus supostos perseguidores. Entretanto, uma fonte me revelou que, na verdade, trata-se de uma estratégia político-jurídica do acusado. Neste momento o inquérito está nas mãos do Procurador Geral de Justiça Manoel Onofre Neto e, caso este aceite a denúncia o processo seguirá para o Tribunal de Justiça do Estado. Tanto o Procurador Geral quanto os desembargadores são autoridades indicadas politicamente, por isso estes órgãos têm um enorme viés político. A aposta do prefeito é conseguir sensibilizar parte da opinião pública, construindo uma imagem de vítima, com isso conseguir o apoio de seus aliados ‘graúdos’, diga-se: governadora, senadores José Agripino e Garibalde Alves, além de alguns deputados, para uma pressão sobre o Procurador com vistas ao arquivamento do processo. Caso esse plano falhe, a defesa do prefeito já prepara uma tese jurídica baseada em questões processuais afim de derrubar o inquérito do delegado Odilon no tribunal - mais uma vez com o apoio de seus aliados políticos.
Uma fonte de próximo do prefeito contou que o deputado que intermedia os contatos, “disse aguardar que o prefeito melhore sua imagem para que possa ajudá-lo”. Por isso Bibiano Azevedo colocou em prática seu plano, construiu os argumentos com seu advogado e articulou com os seus aliados locais e da imprensa uma certa “agenda positiva” em relação a sua imagem. Os jornalistas que se prestaram a esse papel fizeram um tremendo esforço para limpar a barra do prefeito, mas acabaram ficando ridicularizados. Longe do bom jornalismo as entrevistas foram panfletárias, típicas de trabalhos sob encomenda. Faltou senso crítico e restou nítida a intenção do bando.
Em homenagem ao bom jornalismo, tão bem representado por Edinaldo, sugerimos a seguir algumas perguntas que devem feitas ao prefeito:

1)      Quem persegue o Prefeito? Seria a Polícia Civil do Governo Rosalba Ciarlini, sua aliada ou sua própria família?
2)      Quem elaborou a listas contendo quatro dos maiores opositores do prefeito? A quem essas mortes interessam? Aos opositores (que pretende morrer)?
3)      Qual sua relação com seus primos acusados da execução do crime?
4)      Você acha que eles também são inocentes? Se são, porque a justiça os mantêm presos preventivamente, 3 deles no presídio federal?
5)      Quem levou esses “matadores de aluguel” (expressão usada pela Polícia Federal) e quem os mantinham na Serra do Mel?
6)       Por que a prefeitura, no seu mandato, pagou mais de 200.000 cópias xerográficas por ano, equivalente a 16.600 por mês, mais de 750 por dia, ao Daniel Azevedo, um dos “matadores de aluguel”?
7)      Por que Cícera (agenciadora do bando) tinha cargo comissionado na prefeitura sem nunca ter trabalhado?
8)      Se você não tinha nada contra Edinaldo, por que determinou o corte da energia elétrica do palco em que o mesmo realizava o festival “A Mais Bela Voz” em 2007? Por que sempre boicotou as iniciativas do mesmo como: provedor de internet e o próprio jornal;
9)      Por que você viajou para o exterior acompanhado de seu advogado Dr. Francisco Welington, logo após o assassinato de Edinaldo? Você temia que algo pudesse “dar errado”? Que a polícia pudesse chegar em você antes? Você planejou a possibilidade de não retornar ao país?
10)   É verdade que você devia dinheiro ao Ex-vereador João Hélio, assassinado em circunstância parecida, e o mesmo estava cobrando sua família?


Essas são algumas perguntas que poderiam ser feitas. Se você tem alguma pergunta ou mesmo respostas a fazer aos assassinos de Edinaldo, nos mande para: edinaldooserrano@hotmail.com.